terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reencarnação - reportagem do programa Fantástico - TV Globo


Reportagem sobre o tema "Reencarnação", exibida pelo Programa Fantástico da TV Globo em 08 de agosto de 2010, fazendo menção ao Espiritismo codificado por Allan Kardec.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

OTIMISMO - Alan Martins (Ribeirão Preto/SP)




(Mentes do Amanhã - Ano I - Edição I - Julho/2008)


O pessimismo é um sentimento profundamente relacionado ao estado de espírito do indivíduo. Ao olharem na direção de uma árvore de Natal toda iluminada, alguns pessimistas enxergam justamente a única lâmpada queimada entre incontáveis delas acesas. Há pessoas que nem podem ouvir o famoso provérbio sobre a luz no fim do túnel, que logo vêm retrucando para atribuí-la a um trem prestes a atropelá-las.

O problema é que o pensamento pessimista propicia uma inditosa sintonia em faixa vibratória negativa. Logo, o pessimismo pode servir como porta de entrada para a depressão e outras mazelas do psiquismo humano, muito comuns no contexto da vida moderna. O mesmo acesso serve ao plano dos desencarnados, proporcionando o ingresso por avenida que leva ao triste terreno da obsessão espiritual. Não raro, é bom dizer, os quadros depressivos ou similares são devidos a vínculos obsessivos com irmãos prostrados em caminhos tortuosos do plano espiritual.

Ao contrário, o otimismo é atitude própria daquele que acredita em si mesmo e, acima de tudo, tem fé em Deus. O otimista atua em freqüência positiva, tem mais facilidade e disposição para realizar, conquistar e perseverar. No cenário terreno, representa o papel de mola propulsora do progresso e da evolução. Imaginemos se o pessimismo predominasse nas mentes de certas figuras históricas da Humanidade. Por exemplo, será que Cabral chegaria ao Brasil, Colombo à América e James Cook à Oceania? E Santos Dumont? Teria alçado vôo com o seu 14 Bis?

Notícias da espiritualidade, como as do irmão Emmanuel na notável obra “A Caminho da Luz”, dão conta de que muitos emissários de Jesus, não obstante a assistência e inspiração de mentores espirituais, acabaram sucumbindo nas tarefas para que foram designados, seja em razão de falhas próprias, seja em decorrência de influências negativas. Até Kardec, se tivesse sido pessimista nos momento difíceis, por certo, engrossaria as fileiras de missionários do Alto fracassados e, assim, o advento do Espiritismo no orbe terreno sofreria adiamento não desejado.

Façamos nossas auto-análises e vejamos os prejuízos a que o pessimismo pode nos levar: sofrimento por antecipação, somatização de nosso pensamento negativo em dores de cabeça, gastrite e outras enfermidades corpóreas, obras inacabadas, fracassos.

Portanto, o caminho é ser otimista. Certo? Correto! Mas o problema é que isto anda muito difícil no mundo de hoje. O negativismo está no ar, nas conversas entre as pessoas, na mídia que tanto enfatiza tragédias, crimes e toda sorte de notícias ruins. A guerra, a fome, o materialismo exacerbado e as atrocidades que as imperfeições humanas propiciam não são ignoradas por ninguém.

Então, como ser otimista em meio a tantas adversidades? A dica é buscar proteção contra o negativismo, ver as luzes acesas da árvore de Natal, não a única que estiver queimada; ocupar-se de músicas e leituras edificantes; dedicar-se à família, aos amigos, à caridade, à fraternidade, à solidariedade; cultivar a alegria, o bom-humor e ver que, assim conduzindo-se, é possível plantar sorrisos nos semblantes dos semelhantes.

É preciso acreditar para alcançar, seguir os ensinamentos do Mestre Jesus, ter fé em Deus e na Sua infinita misericórdia. Não se pode olvidar que o Espírito é eterno, que a Justiça Divina se faz ao longo de incontáveis encarnações, nem que sempre é tempo para recomeçar, resgatar os débitos pretéritos e conquistar méritos para um futuro espiritualmente mais promissor.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

DIANTE DA VIDA - José Eurípedes Garcia (Igarapava)


Na condição de espíritas, conhecedores dos meandros que regem o mundo e as relações nossa postura diante da vida deve ser muito diferente da postura das demais pessoas do mundo, distantes do conhecimento espiritual.


Devemos considerar a vida como o solo abençoado onde germinam as sementes de nossas ações, e assim, à semelhança do agricultor prudente, devemos selecionar as sementes a fim de que não seja comprometida a colheita.

É compreensível que ante o legado da vida busquemos as flores, devemos refletir, todavia, que a ciência da felicidade consiste em transformar em flores os espinhos que nos ferem.

Jamais deveremos prender-nos ao agressor pelos laços do ódio, da mágoa ou do rancor, mas sim por um impulso de perdão, pois se a vingança nos escraviza o perdão nos liberta e ilumina.

Sendo a vida um patrimônio de Deus, não há como fugir dela e nem pensar que fora dela existe outra vida, pois a vida é única e imperecível. Assim, suicídio, eutanásia, pena de morte e aborto, são loucuras que nos invadem da tentativa de fugir de nossos problemas e dificuldades.

Na vida oscilamos entre a matéria densa e a espiritualidade, porém a morte não gera nenhuma transformação em nosso ser imperecível. Se quisermos adentrar na essência de nossa individualidade devemos iniciar o mais rápido possível o conhecimento de nós mesmos, sem o qual a jornada de ascensão se torna muito difícil.

Para isto é necessário que exercitemos algumas regras básicas de convivência, que muito nos ajudarão na jornada progressiva em que nos encontramos:

-Tratemos a todos com igualdade, pois as posições de superioridade ou subalternidade são condições passageiras que se alternam ao longo das reencarnações;

-Evitemos fazer alarde de nossas boas qualidades, pois a modéstia é apanágio dos espíritos realmente superiores;

-Amemos conforme nos recomendou o Cristo;

-Estudemos sempre, pois o conhecimento é fonte de progresso e como nos orientaram os espíritos encarregados de inspirar o Codificador “espíritas amai-vos, este o primeiro mandamento, instrui-vos, este o segundo”.

-Aprendamos a conviver com a dor, pois é ela quem nos garante um glorioso provir, imaginemos se o brilhante se recusasse a aceitar as ações do ourives, o barro fugisse do fogo que lhe atiça o oleiro ou o mármore se rebelasse contra o escultor que o fere. Quanta beleza se encontraria oculta e quantas obras de arte estariam por realizar-se.

Na busca da felicidade, aprendamos a buscar o bom e belo, todavia não nos esqueçamos que muitas vezes os caminhos para isto se mostram pantanosos e repletos de abrolhos e que para a sua conquista o esforço e a humildade são armas indispensáveis para encarar com alegria os revezes da vida.

(Mentes do Amanhã - Ano I - Edição I - Julho/2008)

sábado, 26 de junho de 2010

CUIDAR BEM TAMBÉM DO CORPO FÍSICO



Paulo César Scanavez- São Carlos/SP

(Mentes do Amanhã - Ano I - Edição I - Julho/2008)


Interessar-se e movimentar-se no cultivo de valores espirituais é a prioritária recomendação da doutrina espírita. Postura dinâmica e centrada na permanente renovação de si mesmo objetivando a auto-iluminação situa-se em plano prioritário de todo aquele que despertou sua consciência para a importância da ascensão do espírito em busca dos valores eternos.


Nota-se, contudo, que pouco se fala em cuidar bem do corpo físico, como se isso fosse desimportante ou capaz de eclipsar a proposta maior de cuidar bem do espírito. Esse tema não escapou do enfrentamento por parte da Espiritualidade que ao responder às questões postas nas perguntas 718 a 727 destacou, em essência, que "a lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde, para cumprir a lei do trabalho".

Há pessoas que atravessam a existência física inteira padecendo severos problemas de saúde orgânica. Outras desfrutam de plena higidez física, esbanjando saúde por todos os poros. Terceiro grupo que alterna períodos de saúde e às voltas com doenças simples ou de etiologia mais grave. Independente do grupo em que nos situemos há necessidade de buscarmos sempre o restabelecimento da saúde e a sua contínua manutenção para proteção integral desse vaso físico de suma importância para as atividades do espírito enquanto estivermos reencarnados. A alimentação sadia ajuda-nos a conquistar uma vida mais ativa, saudável e prazerosa. O respeito ao próprio corpo não deixa de ser um modo de exercício de encantamento com a vida e com o corpo e vida do semelhante. Colocar o corpo em movimento, através da prática de exercícios físicos regulares, constitui-se também em prática preventiva de inúmeras doenças, indisposições e sedentarismo que geram estados de inércia, parasitárias, depressivos e que em muitos casos deságuam em baixa-estima.

Para crescer espiritualmente temos que conjugar os interesses do corpo e do espírito, compatibilizando-os, reconhecendo a significativa importância do corpo físico para bem cumprirmos nossas atividades na Terra. Ao zelarmos bem do corpo físico – abstendo-nos dos excessos e trabalhando pelo restabelecimento e ou contínua manutenção da saúde – estamos agradecendo a DEUS a bênção da vida e ao mesmo tempo facilitando o nosso engajamento às atividades de cultivo dos valores espirituais. O indivíduo oxigena melhor seu cérebro, torna-se mais ágil, mais confiante, vitaliza seu bom humor e sua estima, está sempre disposto a conhecer mais, trabalha com maior disposição, revela-se apto a atividades diversas, aceita-se com mais facilidade e refuga sugestões em torno da inércia e da acomodação. A discrição, o equilíbrio e a moderação são peças espirituais fundamentais para alavancar uma saúde física ideal, geradora de saudáveis estímulos para aceitarmos os múltiplos desafios no desdobramento de nossa jornada reencarnatória. Possamos buscar orientação e apoio para bem compreendermos a necessidade de reavaliação de hábitos alimentares e adoção da prática de exercícios físicos adequados, pois assim estaremos contribuindo para preservarmos tanto quanto possível o nosso corpo físico para bem aplicá-lo na execução de tarefas que interessam à evolução do nosso espírito.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mensagem de Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier (extraída do livro "Estante da Vida")

Recebemos esta mensagem muito instrutiva do amigo Elder Rogério Cardoso, estudioso da Doutrina Espírita da cidade de Passos/MG. Interessante que o mentor da Casa Espírita em que se passa a narrativa de Humberto de Campos é um espírito que vivera a última encarnação como médico, trabalhando em nossa querida cidade de São Joaquim da Barra e região.

"O médico" (1891) - pintura do artista inglês Sir Samuel Luke Fildes

Burro Manco

Antes da reunião mediúnica, o problema de Espíritos e médiuns era o tema na conversação dos companheiros.

- Não compreendo – dizia a irmã Fortunata – porque os benfeitores da Vida Maior haveriam de tomar criaturas de má vida para instrumentos de suas manifestações, se a própria Doutrina Espírita é tão clara em maioria de afinidades...

- Meus amigos – atalhava Sidônio Pires, advogado e diretor do grupo -, se o trabalho fôsse confiado pelos Céus apenas aos fortes e aos sábios, que restaria aos fracos e aos ignorantes? A mediunidade não será comparável a uma riqueza de espírito que Deus distribui entre os bons e os menos bons, tendo em conta o progresso e o aperfeiçoamento de todos? Nesse sentido, é claramente compreensível que, em mediunidade, como em qualquer ramo da experiência humana, cada qual receberá pelo que faça...

- De acordo – objetou o irmão Luís de Souza -, mas o problema é muito complexo. Para ilustrar, pergunto: como acreditar que um Espírito culto venha trazer determinada mensagem por medianeiro que se expressa em língua exótica?

A irmã Leopoldina fitou o opositor, de frente, e contradisse:

- E se você fôsse, por exemplo, um médico, longe de casa e incapaz de viajar, com necessidade de transmitir um recado à família, com relação a determinado enfermo? Vamos que você não encontrasse uma pessoa com os seus conhecimentos e modos e tão-só dispusesse de um índio domesticado, que falasse imperfeitamente o idioma? que faria?

- Instruiria o índio, até que ele pudesse reproduzir corretamente as minhas palavras.

- E se o caso estivesse revestido de urgência extrema? – insistiu Dona Leopoldina – um problema de vida ou morte em criatura profundamente ligada ao seu coração?

- Escreveria um bilhete.

- Mas se não houvesse uma folha de papel ao seu dispor?

Observando que Luís de Souza começava a irritar-se, Dona Catarina interferiu, conselheiral:

- Efetivamente, a questão não é simples. Que há muita coisa esquisita, em mediunidade, há mesmo. Por mais se pense no assunto, em toda parte existem problemas sem solução. Devemos estudar cada vez mais. Cá por mim, não estendo gente má, falando por Espíritos bons...

O relógio, porém, marcava o início das tarefas e a palestra foi abandonada.

No transcurso da sessão, os encargos diversos foram atendidos e, no encerramento das atividades gerais, porque o Irmão Gustavo, mentor espiritual da casa, se preparasse para as despedidas, o Dr. Sidônio, diretor da equipe, indagou se ele registrara o entrechoque de opiniões sobre médiuns e Espíritos, alí havido momentos antes, ao que o paciente orientador respondeu:

- Ouvi tudo, meus filhos.

-  E pode, por favor, dar-nos o seu ponto de vista?

O guia sorriu pelo rosto do médium e considerou:

- Antes de tudo, todos estamos na escola da vida e cada qual, no setor de aprendizado em que se encontre, deve doar o máximo pelo autoburilamento. Vocês não podem perder a vocação do melhor e precisam intensificar lições e purificar ensinamentos. Aperfeiçoar tudo e elevar sempre. Quanto à prática do bem, honorifiquemos cada trabalhador na sinceridade e no proveito que demonstrem. Vocês falam em instrumentos mediúnicos deficitários, mas não ignoram que os talentos psíquicos são comuns a todos. Não seria justo que vocês, meus filhos, cada qual na pauta dos próprios recursos, tentassem oferecer alguma colaboração aos desencarnados amigos? Que pusessem de lado escrúpulos tolos e diligenciassem servir como intermediários, entre o Socorro Divino e a necessidade humana?

E ante o grupo atento, o Irmão Gustavo narrou, com graça:

- Com respeito a Espíritos e médiuns, quero contar a vocês um episódio simples de minha própria experiência. Eu era médico em São Joaquim da Barra, no interior de S. Paulo, quando fui chamado para assistir um doente, num sítio a vinte e seis quilômetros. Nesse tempo, as viagens de carro eram muito raras e o animal de sela era o nosso melhor veículo. Acontece que, no terceiro dia de minha vigília profissional no referido sítio, o meu cavalo adoeceu, justamente quando recebí por mensageiro que seguia de São Joaquim para Ribeirão Preto o recado de um amigo, solicitando minha presença à cabeceira da esposa, prestes a dar à luz. Conhecia o caso e sabia que minha cliente arrostaria com embaraços que lhe poderiam ser fatais. O enfermo a que prestava concurso acusava melhoras e, por isso, afobei-me. Dei-me pressa e procurei o Coronel Cândido, proprietário de excelentes animais; entretanto, o estimado amigo informou-me que só possuía cavalos árabes, de imenso valor, garanhões de fama, e não podia concordar em colocá-los na estrada com a obrigação de suar para cavaleiros. Busquei o sitiante João Pedro, mas João Pedro alegou que apenas dispunha de Manga-largas puros, de alto preço, e não estava inclinado a prejudicá-los. Corri até à vivenda de Amaro Silva, dono de grande haras; no entanto, ainda aí, somente existiam animais nobres e selecionados, que não me podiam ajudar em coisa alguma. Fui, então, à tapera de Tonico Jenipapo, um pobre cliente nosso, expondo-lhe o meu problema. Tonico não teve dúvida. Desceu ao quintal e trouxe de lá um asno arrepiado, e apresentou: “Doutor, este burro é manso e lerdo, mas, se serve...” Não houve mais conversa. Arreamos o animal e, agüentando espora e taça, tropeçando e manquitolando, o burro me colocou nas ruas de São Joaquim, para o desempenho de meu dever, a que atendi com absoluto êxito.

Depois de expressiva pausa, o guia rematou:

- Vocês estudem sempre. Passem a limpo quaisquer fenômenos e exercícios de mediunidade nos cadernos de lições da nossa Renovadora Doutrina; no entanto, em matéria de serviço aos outros, respeitemos cada obreiro no lugar que lhe é próprio. Pensem nisso, porquanto, apesar da era do automóvel e do avião, em que vocês se acham, é possível surja um dia em que venham a precisar de um burro manso, capaz de ser a solução de muita necessidade e amparo de muita gente.

O mentor afastou-se e, terminada a tarefa, a equipe dispersou-se com a promessa de examinar a comunicação e debatê-la na sessão seguinte.