quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mensagem de Irmão X, psicografia de Francisco Cândido Xavier (extraída do livro "Estante da Vida")

Recebemos esta mensagem muito instrutiva do amigo Elder Rogério Cardoso, estudioso da Doutrina Espírita da cidade de Passos/MG. Interessante que o mentor da Casa Espírita em que se passa a narrativa de Humberto de Campos é um espírito que vivera a última encarnação como médico, trabalhando em nossa querida cidade de São Joaquim da Barra e região.

"O médico" (1891) - pintura do artista inglês Sir Samuel Luke Fildes

Burro Manco

Antes da reunião mediúnica, o problema de Espíritos e médiuns era o tema na conversação dos companheiros.

- Não compreendo – dizia a irmã Fortunata – porque os benfeitores da Vida Maior haveriam de tomar criaturas de má vida para instrumentos de suas manifestações, se a própria Doutrina Espírita é tão clara em maioria de afinidades...

- Meus amigos – atalhava Sidônio Pires, advogado e diretor do grupo -, se o trabalho fôsse confiado pelos Céus apenas aos fortes e aos sábios, que restaria aos fracos e aos ignorantes? A mediunidade não será comparável a uma riqueza de espírito que Deus distribui entre os bons e os menos bons, tendo em conta o progresso e o aperfeiçoamento de todos? Nesse sentido, é claramente compreensível que, em mediunidade, como em qualquer ramo da experiência humana, cada qual receberá pelo que faça...

- De acordo – objetou o irmão Luís de Souza -, mas o problema é muito complexo. Para ilustrar, pergunto: como acreditar que um Espírito culto venha trazer determinada mensagem por medianeiro que se expressa em língua exótica?

A irmã Leopoldina fitou o opositor, de frente, e contradisse:

- E se você fôsse, por exemplo, um médico, longe de casa e incapaz de viajar, com necessidade de transmitir um recado à família, com relação a determinado enfermo? Vamos que você não encontrasse uma pessoa com os seus conhecimentos e modos e tão-só dispusesse de um índio domesticado, que falasse imperfeitamente o idioma? que faria?

- Instruiria o índio, até que ele pudesse reproduzir corretamente as minhas palavras.

- E se o caso estivesse revestido de urgência extrema? – insistiu Dona Leopoldina – um problema de vida ou morte em criatura profundamente ligada ao seu coração?

- Escreveria um bilhete.

- Mas se não houvesse uma folha de papel ao seu dispor?

Observando que Luís de Souza começava a irritar-se, Dona Catarina interferiu, conselheiral:

- Efetivamente, a questão não é simples. Que há muita coisa esquisita, em mediunidade, há mesmo. Por mais se pense no assunto, em toda parte existem problemas sem solução. Devemos estudar cada vez mais. Cá por mim, não estendo gente má, falando por Espíritos bons...

O relógio, porém, marcava o início das tarefas e a palestra foi abandonada.

No transcurso da sessão, os encargos diversos foram atendidos e, no encerramento das atividades gerais, porque o Irmão Gustavo, mentor espiritual da casa, se preparasse para as despedidas, o Dr. Sidônio, diretor da equipe, indagou se ele registrara o entrechoque de opiniões sobre médiuns e Espíritos, alí havido momentos antes, ao que o paciente orientador respondeu:

- Ouvi tudo, meus filhos.

-  E pode, por favor, dar-nos o seu ponto de vista?

O guia sorriu pelo rosto do médium e considerou:

- Antes de tudo, todos estamos na escola da vida e cada qual, no setor de aprendizado em que se encontre, deve doar o máximo pelo autoburilamento. Vocês não podem perder a vocação do melhor e precisam intensificar lições e purificar ensinamentos. Aperfeiçoar tudo e elevar sempre. Quanto à prática do bem, honorifiquemos cada trabalhador na sinceridade e no proveito que demonstrem. Vocês falam em instrumentos mediúnicos deficitários, mas não ignoram que os talentos psíquicos são comuns a todos. Não seria justo que vocês, meus filhos, cada qual na pauta dos próprios recursos, tentassem oferecer alguma colaboração aos desencarnados amigos? Que pusessem de lado escrúpulos tolos e diligenciassem servir como intermediários, entre o Socorro Divino e a necessidade humana?

E ante o grupo atento, o Irmão Gustavo narrou, com graça:

- Com respeito a Espíritos e médiuns, quero contar a vocês um episódio simples de minha própria experiência. Eu era médico em São Joaquim da Barra, no interior de S. Paulo, quando fui chamado para assistir um doente, num sítio a vinte e seis quilômetros. Nesse tempo, as viagens de carro eram muito raras e o animal de sela era o nosso melhor veículo. Acontece que, no terceiro dia de minha vigília profissional no referido sítio, o meu cavalo adoeceu, justamente quando recebí por mensageiro que seguia de São Joaquim para Ribeirão Preto o recado de um amigo, solicitando minha presença à cabeceira da esposa, prestes a dar à luz. Conhecia o caso e sabia que minha cliente arrostaria com embaraços que lhe poderiam ser fatais. O enfermo a que prestava concurso acusava melhoras e, por isso, afobei-me. Dei-me pressa e procurei o Coronel Cândido, proprietário de excelentes animais; entretanto, o estimado amigo informou-me que só possuía cavalos árabes, de imenso valor, garanhões de fama, e não podia concordar em colocá-los na estrada com a obrigação de suar para cavaleiros. Busquei o sitiante João Pedro, mas João Pedro alegou que apenas dispunha de Manga-largas puros, de alto preço, e não estava inclinado a prejudicá-los. Corri até à vivenda de Amaro Silva, dono de grande haras; no entanto, ainda aí, somente existiam animais nobres e selecionados, que não me podiam ajudar em coisa alguma. Fui, então, à tapera de Tonico Jenipapo, um pobre cliente nosso, expondo-lhe o meu problema. Tonico não teve dúvida. Desceu ao quintal e trouxe de lá um asno arrepiado, e apresentou: “Doutor, este burro é manso e lerdo, mas, se serve...” Não houve mais conversa. Arreamos o animal e, agüentando espora e taça, tropeçando e manquitolando, o burro me colocou nas ruas de São Joaquim, para o desempenho de meu dever, a que atendi com absoluto êxito.

Depois de expressiva pausa, o guia rematou:

- Vocês estudem sempre. Passem a limpo quaisquer fenômenos e exercícios de mediunidade nos cadernos de lições da nossa Renovadora Doutrina; no entanto, em matéria de serviço aos outros, respeitemos cada obreiro no lugar que lhe é próprio. Pensem nisso, porquanto, apesar da era do automóvel e do avião, em que vocês se acham, é possível surja um dia em que venham a precisar de um burro manso, capaz de ser a solução de muita necessidade e amparo de muita gente.

O mentor afastou-se e, terminada a tarefa, a equipe dispersou-se com a promessa de examinar a comunicação e debatê-la na sessão seguinte.


terça-feira, 27 de abril de 2010

Entrevista: Heloísa Ferraz Pires



(Mentes do Amanhã - Ano III - Edição VII - Março/2010)



Entrevistadora: A Senhora está chegando dos Estados Unidos, esteve fazendo palestras. Qual a impressão que a Senhora trouxe de lá, como está o espiritismo lá? Como foi o trabalho lá?


Heloísa Pires - Olha, foi muito bom. Eu vou lá há seis anos fazer palestras. O movimento está crescendo, aumentando. O número de brasileiros é muito grande, o número de centros, mais de oitenta e quatro só em Nova York e vão continuar crescendo. Americanos ainda têm poucos, mas devagar eu tenho a impressão que as crianças brasileiras é que vão espalhar para os amigos no meio. Elas falam bem o inglês nossas crianças lá.

Mas, muitas casas espíritas, muito bom.

Entrevistadora; Faz a palestra em inglês ou tem tradutor lá?

Heloísa Pires: Não. Tem tradutor. No ano passado, fomos: eu, a Sueli Caldas Shubert, o Alberto do Pará e o Miguel de Jesus Sardano. Nós fazíamos com tradutor, mas aí começaram a fazer perguntas para o Alberto em inglês. E ele falou: “ Gente, a maioria aqui é brasileiro. Não precisa traduzir, fala em português.” Pronto. E deu certo.

Entrevistadora: Como está seu trabalho hoje? Você faz palestras...

Heloísa Pires: Excelente! Porque eu me aposentei, sobra tempo. Então eu Vou levar meus obsessores (eu digo), toda a família, quinta-feira na casa espírita. Eu trabalho, na desobsessão e sou ajudada é claro. Sexta-feira eu vou no centro que meu pai fundou. O primeiro, onde eu trabalho na desobsessão, é em Vila Mariana na rua Estado de Sayão. Amo este trabalho. E no centro que meu pai fundou, eu faço palestras e também trabalho na doutrinação. E vou onde sou convidada. E sou muito convidada, graças a Deus. Enquanto der para ir eu vou. Agora,quando não der mais... aí... RS...aí eu vou fazer tricô!

Entrevista: Fale um pouquinho do Herculano para nós.

Heloísa Pires: Ah! Herculano é minha paixão. Meu pai, minha mãe, são os grandes amores da minha vida. Herculano eu amo, eu separo o pai do autor para não me emocionar. Então eu falo o Herculano e falo “meu pai”. Quando falo meu pai, eu lembro dos natais, das histórias, do amor que ele tinha por minha mãe e por nós, do homem bom, simples, humilde. Quando eu falo no autor, meu queixo cai. Eu lembro dos 84 livros, todos com valor reconhecido. Um mais lindo do que o outro. O último que saiu é “Relação espírito-corpo”. Ele deixou ainda encarnado. Saiu agora. Aí eu pensei: “Já li tudo. Herculano não pode me apresentar mais nada”. Quando eu li o livro, eu falei: “Mas ele é incrível! Ele pode! Esse homem é demais! Esse espírito é demais!” Ele se baseou no ser do corpo de Kardec. E aí amanhã (na palestra) eu até vou colocar algumas idéias. Ele fala da importância do corpo físico, que o espírito age, e o corpo reage. Olha, é lindo, lindo, lindo! Falo, este homem é demais. Tem o “Espírito e o tempo”, “Concepção existencial de Deus” também é uma coisa de louco, “O mistério do ser ante a dor e a morte”, “Obsessão, passe e doutrinação”, “Parapsicologia hoje e amanhã”, e aí vai...um melhor que o outro. E a vida dele foi um exemplo de humildade, de retidão moral e de bondade. Graças a Deus! Este espírito é completista! E saiu agora no livro de Nena Galves, aquela onde o Chico afirmava sempre que Emmanuel dizia sempre que “Herculano é o metro que melhor mediu Kardec”.

Entrevistadora: Esta era minha próxima colocação. Se ele falava disso, desta frase?

Heloísa Pires: Emanuel falava sempre e a Nena Galves publicou no livro dela.

Entrevistadora: E ele, Herculano, aqui encarnado, ele teve conhecimento desta frase?

Heloísa Pires: Ele ria! Ele era muito humilde. Ele achava graça. Quando ele foi defender o Evangelho contra a adulteração, que queriam tirar pedaço.. foi terrível. Ele dizia: “Se eu servir a Jesus, se eu estiver certo, eu fico. Se eu estiver errado o que eu falo cai”. E ele venceu. Aí ele dizia: “A gente é só instrumento do plano espiritual. Ninguém é nada na Terra. Se um falha, vem um melhor.”

Entrevistadora: É verdade! Agora o trabalho da Heloísa Pires também é fantástico.

Heloísa Pires: O Trabalho da Heloísa é só divulgar. Eu leio, eu estudo, eu divulgo. Mas, eu não tenho a capacidade de Herculano, mas nunca! Demora no mínimo... cinco séculos! Porque ele foi escritor, pesquisador, fiel a Kardec. Eu não. Os livros que eu escrevo são com muito amor, mas são contos, é outro tipo. O Papai é um espírito mais velho, mais produtivo, mais culto. Muito, muito. É um missionário mesmo!

Entrevistadora: Aquele livro seu “Educar para ser feliz”. Eu li, gostei muito.

Heloísa Pires: Que bom. Eu também gostei. É leve, é alegre. Mas, não tem a profundidade do trabalho de Herculano, de nenhum deles. São mais light, mais jovem espiritualmente falando. RS..rs.. Estudando vou chegar lá, mas vai demorar..rs..rs..

Entrevistadora: Mas, para nós é muito bom, muito bom. Este “Educar para ser Feliz” nos remete muito a este problema que agora estamos vivendo que é a desagregação da família, a desagregação dos valores e o comprometimento da felicidade.

Heloísa Pires: É verdade. E pior ainda, apresentarem desvalores como valores. Então, há um indução à corrupção, ao roubo, pelos maus exemplos dos de cima né! A corrupção campeia e não acontece nada. Fazem... cada um faz o que quer e não acontece nada, então se a pessoa não tem visão da reencarnação, não entende para que ser reto e bom. Felizmente a ciência traz a visão da reencarnação. Que vai fazer a grande mudança quando for realmente compreendida. Eu acho que agora a verdade vem pela ciência. E não vai ter não aceitação, porque a ciência impõe. A física quântica já está aí com os “universos paralelos”, a teoria das probabilidades, então o espiritismos caminha tranquilamente.

Entrevistadora: Vai sendo comprovado.

Heloísa Pires: Vai sendo comprovado pela ciência, que é neutra, que não pertence a nenhuma religião e que traz a verdade que chamamos espírita, mas que vem dos séculos, não é? Que já estava com os Druidas seiscentos anos antes de Jesus.

Entrevistadora: Muito bom. E para as mães?

Heloísa Pires: As mães precisam de mais firmeza. Puxa, mães e pais estão muito perdidos. Eu noto que eles sentem cheios de complexos de culpa porque não tem tempo para os filhos. Quando encontram, não corrigem, querem agradar os filhos e deixam os filhos fazerem tudo que desejam. A vida não é assim. Ninguém vai ter tudo o que deseja na vida. O “Winnicott” que não é espírita e estuda o pensamento, ele diz: “Indivíduo que não sofre frustração mais tarde não vai suportar a vida”. As crianças precisam aprender a ouvir não. Precisam aprender a ser contrariado, se não mais tarde como profissional vai falhar. O “Winnicott” diz; “Maternagem – aconchego amor e paternagem – a lei, a disciplina, os limites. Aí a gente consegue criar um ser mais seguro. E Freud diz; “Temos um repressor interno, o superego, que exige de nós um comportamento adequado”. Não é sociedade que impõe ou reprime é o próprio indivíduo. Eu digo - Jesus disse: Sois luzes! Se nós tentarmos viver com sombras, ou na sombra, não somos felizes! Gozado isso não é! Nos desequilibramos. E os pais tem que educar dessa forma – isso pode, isso não pode, que respeito o próximo, que não é hora de gritar, que o nosso direito termina onde começa o direito do próximo. E você vai em um Shopping, as crianças derrubam roupa, ninguém fala nada. No metrô te chutam, ninguém fala nada. Aí eu falo né: “O Mãe, eu não pode me chutar! Amanhã ele vai te chutar!” As vezes me olham feio, as vezes me agradecem, no geral olham feio.rs..rs.. Estão comendo coisa, derruba em cima da gente. Eu falo, “ Mãezinha, ele não pode comer coisa em cima dos outros, espera ele descer do metrô!” Quer dizer, os pais estão dormindo. E o resultado é essa loucura. Tem aquele programa da Super Nany no Brasil e nos Estados Unidos, deixando bem claro – quem não sabe educar são os pais. Tem mãe que chora enquanto os filhos derrubam a casa... Tinha uma criança que xingava a mãe, tem de tudo e a gente para e fala; “Não se prepararam para serem pais?” São mais crianças que os próprios filhos. Querem ser amiguinhos, coleguinhas e criança precisa de pai e de mãe. É claro, uma mãe amiga, um pai amigo, mas autoridade, o respeito. Não é “amiguinho” se não eles se perdem. Antigamente era muito importante isso, havia uma autoridade, um respeito, leis dentro do lar. Jogaram tudo para o ar. O resultado é este caos moral.

Entrevistadora: E a gente pode associar isto também,não como causa única, mas associar isto ao avanço do uso de drogas.

Heloísa Pires: Nossa! Mas a criança já vem com tendência, mas aumenta o desejo das drogas pela insegurança. Falta de visão espiritual do mundo e insegurança, cansaço, e estar solto no ar. Se ela encontrar um amigo seguro, se ela for apresentada a Jesus, os pais conversarem, o problema diminui. Pelo menos fizemos a nossa parte.

Entrevistadora: Hoje nós estamos também vivendo uns dilemas, que tem chegado no nosso jornal, perguntas deste tipo – Mães de adolescentes que começam a namorar, que começam a trazer namorados para casa, e depois...

Heloísa Pires: Gente! Ordem e Progresso! A casa nossa, a nossa casa, não é um bordel. A nossa casa é um lar onde as luzes devem ser introduzidas. Então, é claro, o namoradinho vem, a namoradinha vem... Mas, eu tenho uma amiga, que foi comprar uma cama de casal para a filha namorar em paz. Eu falei “ Você está louca? O que que é isso? Tem que ter limites, disciplina, respeito ao corpo físico. Aí o que acontece, vem um bebêzinho, e todo mundo fica perdido. Crianças tem que parar de estudar para tomar conta do bebê. Então, não se pode ficar escravos dos instintos que herdamos dos animais e do corpo físico. Faz ginástica, vai tomar um banho, aprenda a se controlar, espera a hora certa, com a pessoa certa. Ninguém vai impor casar virgem isso é tolice, mas também não precisa ficar nessa libertinagem, trocar de namorado como troca de camisa. E os pais acolherem como se os filhos fossem uns animais irracionais. Há que por os pingos nos "is" se desejarmos um mundo melhor.

Continua na próxima edição.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pelos Caminhos de Jesus



Pelos Caminhos de Jesus

Julio Cesar - Igarapava/SP

(Mentes do Amanhã - Ano I - Edição I - Julho/2008)

Para todas as direções existem caminhos.

Há curtos caminhos que conduzem à loucura, há longos caminhos que conduzem a embriagues dos sentidos, há caminhos tortuosos que nos deixam completamente tontos e sem direção. Às vezes encontramos vielas sem saída e caminhos se nos apresentam sem fim, a vida por si só se apresenta como um caminho para todos nós.

Todos nós seguimos por caminhos variados sem se quer darmos conta onde vamos chegar, muitas vezes em nossa insensatez mudamos de caminho conforme as nossas sensações. Os egoístas elegem o caminho solitário como melhor rota de vida. Todos nós estamos e estaremos sempre caminhando nessa longa estrada da vida eterna e na eternidade todos os caminhos se entrelaçam.

Como diz o velho cantor: “Como essa nuvem branca essa gente não sabe aonde vai, quem poderá dizer o caminho certo e Você meu Pai” Jesus em sua infinita sabedoria ousou dizer-nos que ninguém chega ao pai senão por Ele, o que nos equivale dizer que só pelos caminhos de Jesus que atingiremos com certeza a nossa meta... A perfeição.

terça-feira, 13 de abril de 2010



Almas gêmeas e a lei de amor

Silvia Gouveia (Guará/SP)
Sônia Matos (Ituverava/SP)

O amor é um espetáculo não há dúvida. Um espetáculo que admiravelmente vem trazer luz em nossas vidas e paz aos nossos corações.

É puro e Divino. Emana do criador para as criaturas. Está gravado em nosso íntimo, em estado latente, evoluindo de instinto – sensações – sentimentos, até o ápice que o amor.

Pelo Evangelho percebemos que o amor é Lei, é condição inerente a nossas almas. Mas, a essência do ato amor, está também intimamente relacionado ao estado emocional, ou espiritual do ser que ama. Vejamos que percorremos uma escala progressiva e compreensiva ao ato de amor. Desde o instinto de ter, de buscar, de conquistar, de conseguir, de procriar; depois sensações que nossa estrutura reencarnatória nos traz: sensações de carinho, de prazer, de poder pois, há quem ame imiscuindo um quê de posse, de ciúme, ou dependência que são todos esses frutos de uma relação de poder, de possuir ou ser possuído.

Nesta nossa escala progressiva do amor, diz-nos o Evangelho que subseqüente `as sensações descobrimos os sentimentos. Sentimentos de zelo, de ternura, de docilidade, sentimento de bem querência, de bem estar. E o ápice, diz-nos os espíritos é o amor. E ainda completa, não o amor neste sentido vulgar do termo. O amor que faz estremecer os mártires e estes ébrios de emoção se lançaram aos circos, em desprendimento de si próprio entregando-se em amor pelo bem do Evangelho.

Percebemos os quadros obsessivos, compulsivos em que a visão equivocada do amor pode trazer aos espíritos, encarnados ou não. E em nome do amor. Um amor que ainda se enclausura na satisfação dos instintos ou na busca desenfreada por um prazer aprisionante. E quando não conseguem serem atendidos ou por este ou aquele motivo, transformam a força que se empenhavam no amor, em ódio. É quando observamos as confusões que passam nos corações. Amar no sentido real do termo, requer abnegação, resignação, desinteresse e total obediência aos desígnios do Pai.

Muitas pessoas nos procuram com questões amorosas. Dilemas que vão desde almas gêmeas à “casei com a pessoa errada”?

Vamos vendo no decorrer de nossas conversas e posteriores reflexões que o que querem é serem aceitas, e encontrarem alguém que possam aceitar sem qualquer modificação ou exigência. Poderemos pensar que isso não existe aqui na Terra. Acredito que existe sim, e a vida nos dá prova. Quem pode dizer que as mães não amam assim? E então percebemos que muitos de nossos problemas são caprichos não atendidos e uma dificuldade em abnegarmo-nos em favor do amor mútuo.

Estando ainda na fase de sementeira exigimos regalos de colheita. Buscamos no outro uma perfeição que ainda não temos em nós. Muitos, se encontrassem uma alma gêmea no sentido literal da palavra, ficariam por muito insatisfeitas ao terem que conviver com o espelho de si mesmas, com as mesmas imperfeições, exigências, manias e coisa e tal...

Quando tivermos com questões amorosas a nos incomodar, vamos refletir na escala progressiva do amor. Talvez estejam estacionados no instinto reclamando pelo ápice do sentimento que sequer conhecemos ou temos condição de oferecer para alguém.

Diz o ditado popular que parceiros são todos iguais, o que muda é o endereço. Aqui vamos acrescentar, o que muda é o adereço. Sim, adereço. Às vezes olhamos alguém de bela aparência, ou com um belo vestuário, ou com um belo cheiro, e podemos nos encantar pelo adereço. Quando mudamos para o mesmo endereço a coisa complica. Sem adereços, some o interesse.

Muda porque somos espíritos ainda imperfeitos, que se enganam, que tem suas inibições e fracassos, suas ousadias e valentias, que temos dificuldade em perdoar. Não podemos ir descasando assim como quem troca de adereços. Mudar de endereços depois de entrelaçados implica em uma porção de outras almas entrelaçadas conosco.

Não estamos aqui sendo contra ou a favor do divórcio. Estamos a favor do amor. Um amor que respeita as diferenças, as dificuldades, o estágio evolutivo de cada um. Se quisermos um amor perfeito, tratemos logo de buscar nosso própria perfeição para termos algo a oferecer a esse anjo quando ele chegar até nós.

Antes do “foram felizes para sempre’, tem muitas questõezinhas para serem administradas com cuidado infinito e com muito Evangelho no coração”.

(Mentes do Amanhã - Ano I - Edição I - Julho/2008)


Novidades!

Depois de uma série de notícias sobre o Espiritismo no cinema e na TV, quando divulgamos os iminentes lançamentos dos filmes "Chico Xavier" e "Nosso Lar", bem como da novela da TV Glogo "Escrito nas Estrelas".
Após uma justa homenagem ao centenário de nascimento do seareiro Chico Xavier, com poemas voltados para o tema Mediunidade.
E enquanto aguardamos anciosamente por uma nova versão impressa de nosso jornal.
O blog Mentes do Amanhã tem novidades para você!
A partir desta semana, vamos começar a postar todos os artigos até hoje publicados na versão impressa deste veículo de divulgação da Doutrina Espírita, desde a primeira edição.
Aguardem!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Homenagem ao Centenário de Chico Xavier - III

Mentes do Amanhã faz homenagem ao centenário de nascimento de Francisco Cândido Xavier.

Este é o terceiro poema de uma série de três.

MÉDIUM

Médium,
Medianeiro, operário.
Médium,
 Seareiro, intermediário.

Faz um intercâmbio,
deste mundo com os Espíritos.
Em sua missão,
Liga duas dimensões.
Mas é só um elo,
Sua tarefa é auxiliar.
Deve ter esmero,
Com vontade de atuar.

Se mirar em Jesus,
Disciplina e caridade.
Exemplo que induz,
Ao estudo e à verdade.
Humildade e fé,
Muita prece, oração.
Sua agenda é,
Só trabalho e devoção.

Mas nada é fácil,
Para obreiros imperfeitos.
Superar é difícil,
Ao humano os seus defeitos.
Esquece do estudo,
Da humildade e temperança,
Estressa com tudo,
Não se empenha na mudança.

É quando a sintonia,
Com a luz do Espiritismo,
Faz-se terapia,
De amor e otimismo.
Ora e vigia,
Faz o bem ao semelhante,
Viva em harmonia,
Tenha paz em seu semblante.

Médium,
Medianeiro, operário.
Médium,
Seareiro, intermediário.